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Breve história da Cultura Digital do MinC

Bem-vind@ à história da Cultura Digital brasileira, um espaço público e aberto idealizado pelo ativismo digital brasileiro que ocupou de forma bem sucedida o Ministério da Cultura a partir de 2004. Voltado a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, nasceu como o sistema nervoso central do programa, concebido não apenas para dar ferramentas, mas para transformar a relação entre Estado,
sociedade civil e tecnologia. O endereço digital onde esse processo aconteceu foi o www.culturadigital.br endereço hoje capturado pela RNP e que não conseguimos mais usar. Também eram parte desta rede digital os dominios www.estudiolivre.org e o www.converse.org.br.

Desde meados do século 20, as inovações das telecomunicações, da computação e depois os dispositivos móveis no começo do século 21 realizaram a substituição praticamente total dos sistemas analógicos por sistemas digitais de registro dos textos, sons e imagens. Tudo foi se tornando dados, uma enorme quantidade de bytes e bits.

As Origens: Filosofia Hacker e Empoderamento Comunitário

Nos primeiros anos do Programa Cultura Viva, a Ação Cultura Digital foi desenhada com uma premissa inovadora e, para a época, revolucionária. Baseada em conceitos da cultura hacker, como colaboração, compartilhamento e liberdade, ela quebrava a lógica tradicional da comunicação de
massa. O principal ingrediente dessa revolução foi o kit multimídia de Cultura Digital, composto por computadores com software livre, câmeras e miniestúdios de gravação, que começou a ser distribuído aos Pontos de Cultura . A ideia era clara e poderosa, e marcada por um forte ideal de autonomia:

  • Democratizar a produção: Comunidades que antes eram apenas consumidoras poderiam agora criar seus próprios vídeos, músicas e programas de rádio.
  • Conectar o Brasil: Conectar esses pontos em rede, permitindo que uma produção de uma comunidade quilombola no Norte pudesse ser vista e trocada com um grupo de capoeira no Sul.
  • Flexibilizar os direitos autorais: O MinC promoveu ativamente o uso de licenças Creative Commons, incentivando o compartilhamento e a remixagem da cultura.

O começo de tudo

À medida que a internet se consolidava, a ação do MinC também evoluiu. Um dos marcos foi a criação da Plataforma Cultura Digital (em 2009), um ambiente virtual para agregar sites, blogs e fóruns de discussão, fomentando a construção colaborativa de políticas públicas e marcos regulatórios para o digital. O Ministério da Cultura atento a esse processo de transformação lançou também o Fórum da Cultura Digital Brasileira com o objetivo de agregar pessoas e fluxo de conteúdos em uma plataforma web para a construção de políticas públicas e marcos regulatórios para a digitalidade.

Hoje o Fórum se resume a um grupo de WhatsApp e um grupo do Telegram seria a Rede da Cultura Digital, mas na época que os sites existiam cerca de 7 mil usuários criaram quase 2 mil blogs, 400 grupos de discussão e 500 fóruns, isso até julho de 2012.

Imagem do Site conversê

O Marco Civil da Internet

Debates importantes, como a criação do Marco Civil da Internet, proposto pelo Ministério da Justiça em 2010, usaram a plataforma não apenas como espaço de discussão, mas como ferramenta para a colaboração do público e sistematização de contribuições enviadas ao projeto de lei. A importância dessa ação foi reconhecida mundialmente em 2010 ao receber a menção honrosa na categoria Comunidades Digitais do Ars Electronica, um dos mais importantes prêmios da área na época.

Além das discussões virtuais, a rede realizou uma série de encontros presenciais, dentre os quais se destacam o Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira, que ocorreu em novembro de 2009, e o II Fórum da Cultura Digital Brasileira em novembro de 2010, ambos na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Vieram os muitos blogs, e o fim?

Em julho de 2012, a plataforma inaugurou uma nova fase, com os blogs como uma diretriz, já que os dados de uso da rede apontaram que esta era uma das principais vocações do CulturaDigital.Br, que passou então a se assumir como “uma plataforma pública de blogs”. Para participar, bastava fazer um cadastro, criar o seu blog e depois interagir com os outros blogs e fóruns. A plataforma parou de ser desenvolvida de forma continuada a partir de 2012, mas saiu completamente do ar em Abril de 2020.

Em breve: Linha do Tempo da Cultura Digital

https://web.archive.org/web/20101223042451/http://linhadotempo.culturadigital.org.br